TRATAMENTOS


Transtorno do Desenvolvimento de Linguagem

Você sabe o que é TDL? O Transtorno do Desenvolvimento de Linguagem é o novo termo para o antigo DEL (Distúrbio Específico de Linguagem).

O TDL, como o próprio nome diz, acomete o desenvolvimento de linguagem. Ela acomete 7,4% das crianças, uma média de 2 em cada 30 crianças. O sintoma é a dificuldade de se expressar ou compreender linguagem, ou seja, a criança pode apresentar tanto demora para começar a falar, dificuldade de desenvolver a fala corretamente, como dificuldade para entender o que escuta.

Parece simples, não é? Mas nada sobre desenvolvimento infantil ou linguagem é simples. Isso porque a linguagem afeta e é afetada por outras áreas do desenvolvimento. Ou seja, um diagnóstico baseado apenas nos sintomas tem grande margem de erro. Os sintomas de TDL não são homogêneos.

Como assim? Eles não aparecem da mesma forma para todas as crianças. Por isso, a avaliação fonoaudiológica por um profissional com conhecimento e experiência em linguagem é tão importante. Infelizmente, muitas crianças com TDL ainda não tem diagnóstico ou até recebem diagnóstico errado. Muitas ainda são confundidas com outros quadros como apraxia, autismo, deficiência intelectual, dificuldades de aprendizagem, etc.

O acompanhamento fonoaudiológico é fundamental. 

 

Apraxia de Fala na Infância

Você sabe o que é AFI (Apraxia de Fala na Infância)? Muito mencionado como Apraxia de Fala também, é um distúrbio motor da fala que se manifesta em diversos graus. A apraxia pode ser adquirida, quando surge após alguma infecção ou trauma, por exemplo. E pode ser idiopática, quando não é encontrada nenhuma justificativa clínica como causa.

O principal sintoma é a ausência ou a dificuldade percebida na fala. É possível dar sinais desde bebês como ausência ou pouco balbucio, pobre repertório de sons, fala com entonação diferente. Em geral, dá uma sensação de que a criança sabe e quer falar algo, mas não sabe como fazer isso através da fala.

É uma dificuldade de base neurológica que acomete 1 a 2 crianças a cada 1000. Comparada aos outros quadros de fala e linguagem na infância, a incidência é baixa. Comumente apresentada pelos indivíduos com Síndrome de Down, a apraxia também pode surgir associada a outras condições também.

O diagnóstico e o tratamento são feitos por um fonoaudiólogo experiente e com conhecimento tanto de desenvolvimento infantil como de linguagem. A intervenção precoce é essencial não apenas para a evolução do quadro, mas também para diminuir o impacto das dificuldades nas relações sociais e em outras áreas do desenvolvimento. 

Transtorno do espectro do autismo (TEA)

Recentemente, em maio de 2020, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos EUA divulgou dados de prevalência do transtorno do espectro do autismo e como temos visto nos últimos anos, os números seguem crescendo.

Esse último estudo aponta que 1 em cada 54 crianças foi identificada com autismo. A estimativa anterior de 2014, era de 1 em cada 59 crianças. Esses são dados de estudos americanos, mas são as referências que temos, uma vez que não temos estudos epidemiológicos dessa natureza no Brasil.

Esses números são chocantes, é uma taxa de prevalência muito elevada! Isso significa que o autismo está muito perto de todos nós, não é mais um quadro clínico raro, que pouco vemos ou ficamos sabendo.

Segundo os autores desse estudo, esse aumento na prevalência pode estar relacionado a uma taxa maior de crianças sendo avaliadas e identificadas com autismo em idades mais jovens. Isso porque nos EUA um número substancial de crianças tem sua primeira triagem de desenvolvimento realizada logo nos primeiros meses de vida. Isso é importante porque quanto mais cedo as crianças são identificadas com risco para autismo, mais cedo elas podem iniciar o tratamento, podendo com isso alcançar melhores resultados e ter uma melhor qualidade de vida.

Aqui no Brasil ainda encontramos crianças sendo diagnosticadas tardiamente, por isso, o acesso à informação e aos marcos do desenvolvimento são tão importantes para que esse diagnóstico possa ser feito o quanto antes.

Procure informação de fontes confiáveis, de preferência de centros de referência no assunto ou de órgãos de saúde como o Ministério da Saúde.

Se você é pai, mãe ou tem contato com alguma criança, busque informação sobre o desenvolvimento e discuta com o pediatra toda e qualquer dúvida que possa vir a ter e se você não ficar satisfeito com a resposta, procure outra opinião.

A melhor forma de ajudar uma criança é começar o tratamento o quanto antes!

Quais são os sinais de alerta para TEA?

Em geral, a primeira preocupação dos pais de crianças mais tarde diagnosticadas com TEA (transtorno do espectro do autismo) costuma ser o atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, quando a criança já tem mais de 12 meses. Esse costuma ser o marco do desenvolvimento mais fácil de identificar, ou seja, a criança já está numa idade em que é esperado que esteja falando algumas palavras e não está falando nada.

No entanto, a aquisição da linguagem é resultado de um processo. Portanto, se uma criança chega aos 18/24 meses sem ter indícios de que esteja construindo seu percurso para a comunicação verbal, outros marcos do desenvolvimento anteriores devem ser investigados.

Que marcos são esses? São marcos que indicam habilidades interpessoais, como reagir às expressões emocionais de outras pessoas, observar e responder à pedidos de atenção conjunta e entender o significado dos símbolos (palavras, gestos, imagens que transmitem significado). Ou seja, é preciso verificar se a criança está conectada ao que está acontecendo ao seu redor, se ela é capaz de reagir às informações sociais do ambiente.

Fique atento se seu filho é capaz de:

  • manter o contato visual por algum tempo
  • responder ao sorriso ou outras expressões faciais de seus pais
  • acompanhar com o olhar do outro
  • olhar para objetos ou situações para as quais seus pais estão olhando ou apontando
  • apontar com seu dedo para objetos ou situações para direcionar o olhar de seus pais
  • trazer objetos de seu interesse para mostrar aos seus pais
  • usar expressões faciais variadas e frequentes
  • responder quando chamado pelo nome
  • iniciar a comunicação mesmo que sem palavras
  • brincar de faz-de-conta

Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, busque ajuda profissional, NÃO ESPERE!!

Aprendizagem

Aprender envolve muitas habilidades que se desenvolvem e se modificam à medida que a criança cresce e se desenvolve.

Um ponto a ser observado desde cedo é se a criança consegue se expressar e compreender bem oralmente.

Se a criança apresenta dificuldades para compreender oralmente (sem muitas pistas além da fala), também apresentará dificuldades para compreender uma leitura. Entenda como compreender não apenas você falar e a criança responder, como aquelas perguntas típicas: “que cor é essa?” Vai desde compreender uma fala simples até compreender o sentido de uma história, fazer associações com outros conteúdos. O mesmo acontece com a organização da fala: se a criança fala de forma confusa, não consegue contar uma história, tem dificuldades para se expressar, ela poderá apresentar estas mesmas dificuldades na escrita. Aqui vale também enfatizarmos que fala não se resume à emissão de sons e sim expressividade, de maneira ampla.

Gagueira

Já se pegou achando que seu filho está gaguejando?

Crianças por volta dos 2 anos e meio, 3 anos, podem apresentar uma fala com repetições, pausas, prolongamentos (são as chamadas disfluências) e isso não é motivo para se preocupar, pois faz parte do desenvolvimento.Nessa idade a criança começa a apresentar essa disfluência porque está tentando organizar a própria fala, fazendo construções mais elaboradas, tentando usar os tempos verbais, são muitas aquisições em termos de linguagem e isso pode se refletir na fala da criança em forma de hesitações, de repetições de sílabas ou de palavras, enfim, em uma disfluência (quebra na fluência da fala). Todas as crianças passam por esse processo, de modos diferentes. O importante aqui é saber que é natural é que o seu filho não está com problemas na fala.

Sabe o que faz toda diferença? O papel do adulto! Sim, aqui, também, o adulto tem um papel fundamental para conduzir a criança em seu desenvolvimento. Saiba como:

  • Chame atenção para o conteúdo da fala dele e não para o modo que ele fala. Então, se ele apresentar episódios de disfluência, foque no que ele está dizendo. Não peça para ele repetir ou para que ele pare de gaguejar. A conversa precisa seguir naturalmente.
  • A criança precisa entender que está sendo ouvida, que a sua fala tem valor. Se pedirmos para ela corrigir a fala ou alterar, passamos a ideia de que a fala dela não é boa.
  • Quando pedimos pra criança ficar calma, respirar e daí voltar a falar, de uma certa maneira estamos chamando a atenção para o que está acontecendo com a fala dela, para a disfluência. A criança pode associar que sempre que ela gagueja, deve parar, respirar e só então voltar a falar e isso muitas vezes, acaba por gerar uma gagueira de fato.
  • Mantenha a conversa olhando nos olhos, não desvie o olhar, não saia de perto. Fique com a criança e passe a segurança de que tudo que ela diz pode ser compreendido.
  • Deixe a criança falar tudo que precisa e deseja. Completar ou falar por ela só passa a ideia de que a fala dela não é boa.

É fundamental que os pais fiquem tranquilos e que busquem informação sobre o que está acontecendo para saberem a melhor forma de lidar. Muitas vezes uma conduta inadequada dos cuidadores, pode atrapalhar e prejudicar o desempenho de se comunicar dessa criança.

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